A Deck – Inteligência Digital para a Cultura apresenta os resultados da pesquisa “Percepção da IA na Cultura e Economia Criativa”, um estudo inédito que pela primeira vez ouve diretamente profissionais brasileiros dos setores cultural e criativo sobre como percebem os impactos da inteligência artificial em suas áreas de atuação.
Idealizada e conduzida por Beth Ponte, consultora da Deck, com análise e revisão de dados por Letícia Fernandes e Polianna Dias, a pesquisa de pulso foi aplicada entre junho e setembro de 2025 junto a 1.555 profissionais de 16 diferentes segmentos — incluindo música, cinema, artes visuais, gestão cultural, design e publicidade — participantes do curso “IA e Cultura” da Escola Solano Trindade de Formação e Qualificação Artística, Técnica e Cultura (Escult), do Ministério da Cultura/UFRB.
A iniciativa da Deck foi uma pesquisa de pulso, um levantamento breve, aplicado de forma ágil, que busca captar percepções, tendências ou comportamentos em um curto espaço de tempo. Além disso, replicou algumas das perguntas da ‘Ipsos Monitor AI’ (2025), levantamento internacional de referência com 32 países, incluindo o Brasil – permitindo uma comparação entre os resultados com foco no setor criativo.
Os resultados mostram que 93,5% dos entrevistados acreditam que a IA mudará significativamente a forma como trabalham nos próximos cinco anos, um percentual muito superior aos 61% registrados na população geral brasileira pela pesquisa internacional Ipsos AI Monitor 2025.
A pesquisa também mapeou preocupações importantes: mais de um terço dos profissionais (35,5%) consideram provável que seus empregos sejam substituídos por IA nos próximos cinco anos. Essa percepção de risco é ainda mais acentuada em setores altamente digitalizados como Cinema, Rádio e TV (44,9%) e Música (44,3%), onde a automação de conteúdo já é uma realidade. Apesar das tensões, o otimismo prevalece: 66,2% acreditam que a IA tem potencial para melhorar o mercado de trabalho criativo, refletindo uma visão equilibrada sobre desafios e oportunidades.
Este estudo reforça nossa convicção de que falar sobre inteligência artificial não é incentivar seu uso de forma acrítica, mas sim promover a ideia de que é essencial capacitar o setor cultural para compreender, questionar e decidir conscientemente como incorporar (ou não) essas tecnologias em suas práticas. Acreditamos que a capacidade de análise crítica é a melhor ferramenta para que profissionais e organizações culturais naveguem essas transformações de forma estratégica, ética e alinhada com seus valores. Esperamos que os dados desta pesquisa contribuam para o debate público e inspirem políticas de formação e proteção profissional e de regulação adequada da IA no campo cultural brasileiro.